Do Globo – Cunha classifica como ‘absolutamente desnecessária’ operação da PGR na Câmara

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), classificou como “absolutamente desnecessária” a apreensão de registros do sistema de informática da Câmara dos Deputados. A operação foi autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e feita a pedido do procuradora-geral da República, Rodrigo Janot. Segundo Cunha, bastaria o procurador ter pedido, que isso seria enviado a ele. Cunha voltou a dizer que Janot escolheu quem investigar e tenta, de forma desesperada encontrar algo para incriminá-lo na investigação sobre a corrupção na Petrobras.
— Na prática, e meu advogado já falou isso à imprensa, o que foi feito aqui foi absolutamente desnecessário. Bastava mandar um oficio, se mandaria tudo o que se pediu, não precisava nada disso. Vir aqui, daquela forma como vieram. buscar — disse Cunha, acrescentando:
— São circunstâncias que mostram o desespero do procurador de tentar alguma coisa que possa tentar me incriminar.
O presidente não quis responder, no entanto, se entendia a atitude como uma agressão de um poder a outro, alegando que por se tratar de fato que envolvia sua pessoa, preferia não fazer juízo de valor. Segundo ele, ele não foi notificado, e sim o diretor-geral da Câmara e que, ao tomar conhecimento, ordenou que facilitasse o acesso e que não houve busca em seu gabinete.
— Eu não tenho que me meter, não vou obstaculizar nenhum cumprimento de absolutamente nada principalmente porque se trata da minha pessoa. Não faria jamais. Não é questão de autorizar ou não autorizar. Ordenei que se facilitasse toda e qualquer acesso. Não tenho nada, absolutamente a esconder.
Cunha confirmou ainda que a Mesa Diretora da Câmara vai normatizar o uso de senhas dos deputados por seus assessores. Segundo ele, até pelo excesso de trabalho, os deputados delegam a seus assessores suas senhas para que as tarefas sejam executadas.
— Foi para poder identificar claramente o nível de atribuição de cada um que tem ingresso dentro dos arquivos da Casa. Nós todos temos aqui uma forma de liberalidade com relação à utilização disso sem preocupação com qualquer tipo de consequência. É preciso normatizar e hierarquizar inclusive o acesso de todos que detêm nossas senhas para que eles possam efetivamente usar de acordo com delegação de competência que nós concedermos. Cada um pelo nível de confiança que detém — disse o presidente da Câmara.
Segundo Cunha, a falta de normatização pode gerar confusões, citando como exemplo o fato de os funcionários de seu gabinete usarem suas senhas.
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— Hoje, por exemplo, minha senha é emitida pelos funcionários do meu gabinete, que fazem todas minhas movimentações, inclusive bancárias. A maioria dos deputados faz isso, meu email de deputado quem manipula são meus funcionários, um volume tão grande. Não temos tempo. Eu manipulo o meu pessoal — disse Cunha.
O presidente da Câmara negou que esteja tomando essa atitude em razão da denúncia de que tenham partido do computador de seu gabinete a confecção dos dois requerimentos que pediam investigação contra as empresas Toyo e Mtsui, representadas pelo empresário Júlio Camargo. Segundo o doleiro Alberto Youssef, Camargo pagava propina para Cunha e depois que o empresário não quis mais pagar para o esquema, Cunha teria se valido de dois deputados para fazer requerimentos a fim de pressionar Camargo a volta a contribuir com o esquema.
— Eu tenho a prova de que foi autenticado pelo gabinete da parlamentar. O estágio de requerimento não tem nenhum impacto ( na investigação) porque as partes dos dois lados negaram em depoimento. É uma tentativa de procurar prova para justificar algo eu não aconteceu — disse Cunha.
Fonte: http://oglobo.globo.com/brasil/cunha-classifica-como-absolutamente-desnecessaria-operacao-da-pgr-na-camara-16075469

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